sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Noite de terça.

– O que você vai fazer amanhã quando acordar ? – murmurou olhando para o teto.
– Bem, não sei. Depende. Porque você está perguntando isso ? – disse ele prevendo a resposta. 
– É que minha vontade é de ficar com você aqui para sempre. Importa-se se a gente ficar só abraçadinho ? – disse ela com um sorriso leve como a brisa, colocando o cotovelo na cama e a mão na cabeça.                                             
– Claro que não – sorriu ele, colocando a cabeça dela sobre seu peito.                                                                                                                                                 
– Abraçadinho... Que horror. Eu não acredito que eu falei abraçadinho!                                                       
– Melhor do que agarradinho juntinho ou sei lá o que – disse ele rindo sem direção.    
                        

Quando ele a percebeu estava dormindo. A verdade mesmo era que ele não gostava de dormir abraçadinho. Dava cãibras. Mas era ela pedindo. Ela dormiu com um sorriso leve no rosto, e com suas vírgulas em cada lado da bochecha. “Sorriso entre parênteses, só eu sou capaz de lê-lo, dizia ele”. A beleza dela era tão dela que parecia que ele a conhecia há anos. De qualquer outra cidade ou planeta, mas esse rosto não lhe era estranho. Mas a verdade, em meio a tantas outras verdades inacabadas, um pouco sujas e surrealistas, era a que ele a amava. Não sabia o porquê disso nem como.  Mas ele a amava. E pela respiração dela sabia, ela o amava também.            

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Outro lado da maçã.

Certa vez, a mesma pessoa especialíssima do outro texto, que andou querendo sair do meu rebanho, disse-me que eu só vejo o lado bom da maçã. Só o lado em que a tristeza, angustia e dor não têm vez, e onde o amor é o ator principal. Porque a vida é um sopro. Perder tempo com melancolias –pensava - era besteira.
Mas a vida engraçada como é, mostrou que a tristeza, angustia e dor são necessários, acredita? E sabe o que tem no outro lado da maça? O “eu” que a gente tem medo de encontrar, coração. Porque a tristeza tem dessas coisas, de nos mostrar quem somos sem máscaras ou brilhos falsos. Mostrar a carne viva. Escancarar os defeitos, medos, carências e fragilidades. E temos tanto receio de descobrirmos, que na verdade, somos tão fracos quanto um castelo de cartas, embora a maioria de nós faça questão de mostrar que aí, ó... É de pedra. Questão de esconder os medos e fragilidades. E essas mesmas pessoas fazem questão de espantar a tristeza. Elas têm medo de si próprias, coração. Porque não sabe quem são, por isso, tem medo de descobrirem que na verdade, elas não são nada daquilo que pensaram ser. E quanto a isso, faz-se necessário descobrir novos hábitos, reler e criar novas verdades. Não cabe reconstruir duas vidas numa só existência.  

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Diamante.

Bem, certa vez, uma pessoa especialíssima me disse, que quando a gente encontra alguém que nos toca lá no fundo, onde ninguém mais foi capaz de tocar, e provavelmente não será, encontramos o tão esperado diamante de nossas vidas. E em meio a tanto limo e pedras no poço, no fundo do fundo do poço, a gente encontra alguém. E o irônico nessa história, é que o diamante que encontramos no poço, muitas vezes, não é dos maiores e nem nos atrai tanto fisicamente. O problema, dentre tantos outros, é que esse diamante nos encanta. Ficamos deslumbrados da beleza que ele tem. O brilho que só nós somos capazes de enxergar. A textura, a cor, a delicadeza. No fundo do fundo do poço, depois que tiramos o limo, e peneiramos as pedras... Encontramos o nosso diamante. Porque é no fundo do fundo do poço, que descobrimos as coisas mais maravilhosas de nossas vidas. Quando encontrá-lo, parabéns. Você encontrou o amor da sua vida.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Correspondido.

E tem coisa melhor quando essa coisa, o amor, é recíproca? Quando os olhares dizem a mesma coisa, quando nos abraços sentimos o coração bater ao mesmo tempo. A mil. Tem coisa melhor quando os desejos são os mesmos, o momento certo para ambos, as expectativas melhores possíveis e alegria de estar junto ser melhor que tudo ? Quando o sorriso é farto e a conversa é boa. Quando as brigas são por coisas engraçadas e que sempre terminam em beijo. Quando a saudade tem nome, telefone e endereço fixo. Quando sentimos o cheiro do outro sem nem ao menos o outro estar ali.  Quando não existe medo do futuro porque o sorriso dela é tão mais lindo. Quando as músicas passam a ter sentido, e os finais de semanas nunca mais são os mesmos. E nem os textos lidos, nem as noites dormidas... Ou mal-dormidas. Enfim, nada depois que você apareceu foi à mesma coisa. Porque além de mim, agora eu passo a levar você também. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Melhor amigo.

‎ Hoje eu percebo. É que você todo esse tempo parecia meu amigo. Só, tão e somente, meu amigo. Meu melhor amigo. Você fala como um amigo, olha como amigo, telefona como um amigo, e o seu abraço... É de amigo (as mãos nunca chegam, em momento algum, na cintura). O seu beijo, sempre na testa... De amigo.  Seus conselhos, carinhos, olhares, enfim. Eu  devia ter desconfiado, seu cheiro é cheiro de namorado, sua preocupação é de namorado, o seu “te cuida” é um “eu te amo” com vergonha de ser dito. Nossas conversas nos e-mails hoje as relendo, nunca foram de simples e bons amigos.
E sabe o que eu aprendi? Existe sempre alguma coisa de errado numa amizade, quando só nós dois somos os são legais, enquanto o resto do mundo não presta. E eu só fui perceber isso, quando estava apaixonada por você.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ela era diferente.

Ela era assim mesmo, dessas garotas bem tortas. E gostava de ser assim, diferente. Ela provocava risos, e tinha aquela coisa de sorriso entre parênteses.  Sabia usar a ironia como poucos, e sempre estava disposta a ajudar. Ela era de sorriso fácil, e sempre que sorria, fazia-o com os lábios e também com os olhos. Ela conservava seus amigos, que não eram muitos, mas eram os melhores. Como eu disse, ela era torta, errada, mas era sem artifícios, enfeites ou brilhos falsos. Cheia de imperfeições incorrigíveis, ela gostava de sentir e ser por completo. Tinha um quê de mulher brasileira. Não bebia nem fumava. Ela tinha brilho e amor próprio. E ela gostava de ser assim, torta. E o melhor de tudo, eu a amava por isso.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

"O problema é que eu te amo!".

Eu tinha e tenho motivos reais, palpáveis e óbvios para te amar. Você é bonito, tem um quê de comercial de cuecas e um charme de comercial de perfume. Seu sorriso abre milhões de caminhos para a tal felicidade plena. Sabe conversar e tratar bem uma mulher. É carinhoso e romântico ao ponto. Inteligente. Abre a porta to carro e é bom de cama. Tem a péssima mania de dizer coisas que mexem comigo, coisas essas que ninguém mais diz. 
Eu tenho milhares de motivos para te amar e te querer na minha cama por uma relação amorosa inesquecível. Mas, porque, e isso eu me pergunto todos os dias. Porque fui gostar logo do que vem de dentro e te querer pelo resto da vida?

 “O problema é que eu te amo!” Cássia Eller. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Simples e terno.

Você deve estar se perguntando: “quem é o idiota que manda carta em pleno século XXI?”. Pois bem, sou eu o idiota. E aposto que você pensará “tinha que ser”. Resolvi mandar-te está carta ao invés de e-mail porque a carta é escrita. E a escrita tem o costume, muitas vezes doloroso, de deixar marcas enquanto suas letras passam pelos olhos. Saiba que a intenção não é essa. É que a frase é meio bonita, e achei ótima pra começar o novo livro que estou escrevendo. Um romance, claro. Mas hoje, deixei o livro de lado e estou me dedicando, tão e somente, a você. A mandar-te está carta. Eu sei que você não esperava uma carta minha, sei também que você deve estar com saudade. Saiba que também estou, com muita! A propósito, estou na França. Aqui é ótimo para escrever. Estou numa cidadezinha pequena e muito simples, e neste exato momento estou num campo enorme olhando o pôr-do-sol e pensando em você. Lembro-me - e isso me faz dar boas gargalhadas - quando você me disse que ao invés de  ter me conquistado pela boca, eu te conquistei pela escrita. Aquela tarde foi ótima, e hoje, fazem exatos cinco meses desse nosso “último encontro”, se é possível ser chamado assim. Mas o fato, que o que vem na cabeça é que, entre tudo que você poderia ser pra mim, você escolheu ser o amor da minha vida. Assim, meio simples e terno. Talvez seja o tipo de coisa que só aconteça uma vez na vida, e a gente, de alguma forma, não pode deixar isso passar. Porque se deixarmos, nem eu nem você, seremos completos.  Não sei ao certo o momento dessa escolha (de querer a outra pessoa pelo resto da vida) se é que teve realmente, um momento isolado. Penso que essas coisas, meio mágicas de amor, acontecem gradativamente, sabe. Um passo de cada vez. E quando nos damos conta... Você está se imaginando em Paris com a outra pessoa (risos).
Porque de tantas outras opções na estante. Você escolheu ser o amor da minha vida. Assim, meio simples e terno. E quer saber de uma coisa... acho que “escolhi” ser o seu. Assim, meio simples e terno.